Colonialismo de dados segundo Nick Couldry e Ulises Mejias

uma análise sob a ótica da crítica da Economia política

Autores

  • Rodrigo Moreno Marques Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Palavras-chave:

Colonialismo de dados, Capitalismo, Economia Política, Crítica da economia política, Marxismo

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar uma análise da abordagem do colonialismo de dados proposta por Nick Couldry e Ulises Ali Mejias. A análise adota uma perspectiva fundada na crítica da economia política concebida por Karl Marx e nos princípios metodológicos que lhes são subjacentes. Os resultados da análise revelam algumas fragilidades da tese do colonialismo de dados de Couldry e Mejias. Os autores incorrem em equívoco ao analisar a extração de valor econômico dos dados sem incluir em sua análise justamente os agentes responsáveis pela criação de valor, isto é, os trabalhos humanos em suas formas sociais especificamente capitalistas. Além disso, eles não diferenciam as atividades humanas que criam valor das atividades humanas que estão a serviço da transferência de valor. Diante dessa lacuna, acabam por não distinguir, tanto no plano microeconômico quanto no plano macroeconômico, os agentes que criam riqueza dos agentes que enriquecem por meio da apropriação de riqueza criada pelos primeiros. Por fim, a solução proposta pelos autores para superar o assim chamado colonialismo de dados incorre em desacertos análogos aos do idealismo iluminista, pois está fundada em uma ruptura epistemológica que desconsidera que matrizes epistêmicas não são autônomas em relação às estruturas socioeconômicas que as produzem, ou seja, em relação à materialidade social do mundo em que vivemos.

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Biografia do Autor

Rodrigo Moreno Marques, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Mestre e doutor em Ciência da Informação pela Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG, com período sanduíche na Universidade do Estado da Califórnia. Realizou pós-doutorado na Universidade de Londres e na Faculdade de Educação da UFMG. Atualmente é professor da ECI (UFMG), membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, do qual foi coordenador (2023-2024). Membro da ANCIB (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação), onde ocupou o cargo de Coordenador do Grupo de Trabalho 5 (Política e Economia da Informação). Membro da Sociedade de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Sociedade EPTICC) onde atualmente ocupa o cargo de vice-presidente (2022-2026). Membro do grupo de pesquisa ''Comunicação, Economia Política e Sociedade'' (OBSCOM/CEPOS). Editor Adjunto da Revista Eptic (Revista Eletrônica Internacional de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura) e da Revista Trabalho Educação (FaE/UFMG). Sua linha de pesquisa emprega as lentes da Economia Política para apreender as dinâmicas socioeconômicas que envolvem a informação, a comunicação e a cultura. Investiga também alguns aspectos das políticas de informação contemporâneas, que incluem a governança da internet e o enfrentamento do fenômeno da desinformação.

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Publicado

2026-03-22

Como Citar

Marques, R. M. (2026). Colonialismo de dados segundo Nick Couldry e Ulises Mejias : uma análise sob a ótica da crítica da Economia política. Tendências Da Pesquisa Brasileira Em Ciência Da Informação, 19(1). Recuperado de https://revistas.ancib.org/tpbci/article/view/820