Arquivos suleados
narrativas plurais e a visibilidade de comunidades historicamente marginalizadas
Palavras-chave:
Arquivos Comunitários, Abordagem Crítica, Paradigma Intercultural-anticolonialResumo
Este estudo investiga a convergência entre o Paradigma Intercultural-Anticolonial da Ciência da Informação e a Arquivologia Crítica, analisando como essa integração fundamenta práticas decoloniais em arquivos comunitários. Por meio de uma revisão bibliográfica e uma abordagem transdisciplinar, a discussão propõe o suleamento das teorias arquivísticas, confrontando a hegemonia positivista e eurocêntrica que historicamente “norteia” a área. Também são articulados conceitos como a empatia radical, o conhecimento situado e a performatividade, provenientes das teorias feministas, os quais podem impactar o ato de arquivar, posicionando os arquivos comunitários como espaços estratégicos de resistência, cuidado e justiça social. A análise evidencia que essas revisões teóricas permitem repensar as funções arquivísticas para além dos modelos institucionalizados tradicionalmente, valorizando as narrativas de grupos historicamente silenciados. No cenário brasileiro, embora a produção científica sobre o tema tenha sido identificada como inexpressiva em um levantamento bibliográfico realizado no início de 2026, o campo demonstra iniciativas práticas por meio de iniciativas como o Grupo de Trabalho sobre Arquivos Comunitários (GTAC), formalizado na Associação Latino-Americana de Arquivos (ALA) em 2024. Conclui-se que o diálogo entre esses paradigmas críticos contribui para o reposicionamento do fazer arquivístico, orientando-o para uma reparação histórica fundamentada na pluralidade de saberes e na transformação social.
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