Imprensa negra, memória e protagonismo feminino
mulheres na resistência à escravidão no Jornal Verdade (1888-1889)
Palavras-chave:
memória social, mulheres negras, abolicionismoResumo
Este artigo analisa as representações e formas de protagonismo feminino registradas no jornal Verdade, periódico paraibano publicado no final do século XIX, no contexto das lutas pela abolição da escravidão no Brasil. Parte-se do entendimento de que a imprensa histórica constitui um importante dispositivo de produção, mediação e circulação da informação, além de desempenhar papel relevante na construção de memórias sociais sobre acontecimentos e sujeitos históricos. A pesquisa busca compreender de que modo mulheres foram representadas nas páginas do periódico e como suas ações se relacionaram às dinâmicas de resistência à escravidão e às transformações sociais do período. O objetivo do estudo é analisar registros sobre mulheres presentes no jornal Verdade entre os anos de 1888 e 1889, identificando as formas de agência feminina associadas ao contexto abolicionista. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter documental e exploratório, fundamentada na análise de conteúdo de edições do periódico disponíveis em acervos digitais. A análise concentrou-se em notícias e notas que mencionam mulheres em situações vinculadas à libertação de pessoas escravizadas, à denúncia de violências e à presença feminina em espaços de participação pública. Os resultados indicam que, embora as mulheres apareçam de forma pontual nas páginas do jornal, suas ações evidenciam diferentes formas de resistência, como iniciativas de alforria, enfrentamentos cotidianos às práticas de violência e indícios de participação na esfera pública. Conclui-se que o periódico constitui um importante fonte para compreender as relações entre informação, memória e protagonismo feminino no contexto abolicionista.
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