Entre percursos e conhecimentos
Exu, a encruzilhada e a decolonização da informação.
Palavras-chave:
Exu, Informação, Encruzilhada, Epistemologia da informação, Decolonização da informaçãoResumo
Este artigo, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, fundamenta-se em revisão bibliográfica orientada por perspectivas decoloniais e tem como propósito analisar de que maneira a metáfora da encruzilhada, articulada à figura de Exu, orixá das cosmologias afro-brasileiras, pode contribuir para a formulação de uma epistemologia da informação mais plural, inclusiva e sensível à diversidade de matrizes de conhecimento. Argumenta-se que a noção de “Exuzilhada” tensiona os referenciais hegemônicos da Ciência da Informação ao ampliar os entendimentos de fonte, mediação e ambiente informacional, reconhecendo como legítimos os saberes produzidos em contextos afro-brasileiros, indígenas e periféricos, historicamente silenciados pela racionalidade colonial. Os resultados evidenciam que a incorporação dessas epistemologias favorece o deslocamento de uma lógica monocultural do saber, promovendo decolonização dos saberes, justiça cognitiva e reconfigurando os horizontes teórico-metodológicos do campo. Conclui-se que assumir a encruzilhada como espaço simbólico de travessia, negociação e criação constitui um gesto epistemopolítico fundamental para a construção de uma Ciência da Informação comprometida com a diversidade epistêmica e com a inclusão de múltiplas vozes no ecossistema informacional.
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