A biblioteca pública na (re) construção da identidade negra

  • Francilene do Carmo Cardoso Universidade Federal Fluminense
  • Nanci Gonçalves da Nóbrega Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: Biblioteca pública, Desenvolvimento de coleções, Memória, Identidade negra, Narrativas orais, Negros na literatura infantil e juvenil, Ação cultural

Resumo

O objetivo deste trabalho é realizar algumas reflexões a partir de uma experiência em Biblioteca Pública no Maranhão, quando se constatou a insuficiência de materiais informacionais representativos da memória histórica dos afro-brasileiros na coleção, procurando compreender os motivos e as conseqüências desta ausência. A memória aqui é entendida como uma construção social, e a contribuição de Maurice Halbwachs (1990) será nosso ponto de partida. A memória oferece um contexto de atribuição de sentidos para o reconhecimento da diferença, assim a reflexão sobre memória será conduzida no domínio da categoria silêncio e sua política, o silenciamento, tendo como aporte o estudo de Eni Olandi (2007) na reflexão sobre o processo de construção de identidades. As narrativas orais através dos relatos de experiências via oralidade rejeitam o silêncio e nos mostram que a história contada pode ser outra. Assim, apresenta-se uma breve discussão sobre as funções das narrativas orais da tradição pensando como estas podem ser incluídas nos estudos do campo da Ciência da Informação, particularmente na área de Desenvolvimento de Coleções. Para tanto, torna-se necessário analisar algumas das abordagens da Ciência da Informação e de seu suposto objeto a partir das narrativas hegemônicas da área apresentando uma abordagem contemporânea que possibilite pensar esta atividade com outras fontes não impressas tendo a ação cultural como bússola. A biblioteca pública pode incluir as narrativas orais afrobrasileiras quando das ações culturais para tornar viável o desenvolvimento de coleções, exercendo de fato a relação informação, cultura e sociedade. Para tanto, o profissional da informação/bibliotecário precisa estar atento às práticas que desenvolvem no ambiente das bibliotecas, voltando suas ações para a abertura de caminhos que contemplem outras formas de desenvolvê-las, cumprindo o pretenso papel da biblioteca pública de ser “tudo para todos”, isto é, para que de fato se torne democrática.

Biografia do Autor

Francilene do Carmo Cardoso, Universidade Federal Fluminense

O objetivo deste trabalho é realizar algumas reflexões a partir de uma experiência em Biblioteca Pública no Maranhão, quando se constatou a insuficiência de materiais informacionais representativos da memória histórica dos afro-brasileiros na coleção, procurando compreender os motivos e as conseqüências desta ausência. A memória aqui é entendida como uma construção social, e a contribuição de Maurice Halbwachs (1990) será nosso ponto de partida. A memória oferece um contexto de atribuição de sentidos para o reconhecimento da diferença, assim a reflexão sobre memória será conduzida no domínio da categoria silêncio e sua política, o silenciamento, tendo como aporte o estudo de Eni Olandi (2007) na reflexão sobre o processo de construção de identidades. As narrativas orais através dos relatos de experiências via oralidade rejeitam o silêncio e nos mostram que a história contada pode ser outra. Assim, apresenta-se uma breve discussão sobre as funções das narrativas orais da tradição pensando como estas podem ser incluídas nos estudos do campo da Ciência da Informação, particularmente na área de Desenvolvimento de Coleções. Para tanto, torna-se necessário analisar algumas das abordagens da Ciência da Informação e de seu suposto objeto a partir das narrativas hegemônicas da área apresentando uma abordagem contemporânea que possibilite pensar esta atividade com outras fontes não impressas tendo a ação cultural como bússola. A biblioteca pública pode incluir as narrativas orais afrobrasileiras quando das ações culturais para tornar viável o desenvolvimento de coleções, exercendo de fato a relação informação, cultura e sociedade. Para tanto, o profissional da informação/bibliotecário precisa estar atento às práticas que desenvolvem no ambiente das bibliotecas, voltando suas ações para a abertura de caminhos que contemplem outras formas de desenvolvê-las, cumprindo o pretenso papel da biblioteca pública de ser “tudo para todos”, isto é, para que de fato se torne democrática.

Nanci Gonçalves da Nóbrega, Universidade Federal Fluminense

ós-Doutorado em Letras pela PUC-Rio (2011) e Doutorado em Comunicação Social/Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.ECO/MCT.IBICT (2002). Professora Aposentada da Universidade Federal Fluminense. Pesquisadora do Instituto Interdisciplinar de Leitura /Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio. Coordenadora da Biblioteca do iiLer e do Grupo de Ledores do iiLer. Responsável pela reorganização e dinamização das bibliotecas da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio (2008-2012), da Casa da Leitura/PROLER (1992-1996), do Museu Histórico Nacional (1986-1991) e do Colégio Bennett (1980-1986). Foi bibliotecária do Museu Nacional (1976-1979). Integra a Rede de Pesquisadores em Leitura (RELER/Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio), o Grupo de Estudos em Literatura Infantil e Juvenil - GELIJ/ CNPq no. 7719464249003688, o Projeto de Pesquisa CNPq Cultura e Processos Info-Comunicacionais da FIOCRUZ e a Rede MUSSI. Tem experiência nas áreas de Leitura (Narrativas, Literatura Infantil e Mediação), Biblioterapia, Ciência da Informação (ênfase em Informação, Cultura e Sociedade; Organização e Dinamização de Bibliotecas e Acervos Infantis) e Metodologia da Pesquisa.) Experiência em Comissões Julgadoras e Bancas de Avaliação: FNLIJ (literatura infantil e juvenil), Rev. Crescer (literatura infantil), Prêmio CEPETIN de Teatro Infantil, Pensa-Rio (projetos de leitura/educação; membro da comissão interna da equipe da Cátedra), GTs de Encontros Científicos (Seminários, Congressos). Avaliadora de artigos de revistas científicas, de concursos públicos etc. Conselheira do Conselho Consultivo da Editora da Universidade Federal Fluminense e Membro do Comitê Gestor da Superintendência da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Cordenadora do Grupo de Ledores do Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio e Supervisora da equipe que realiza acões de Biblioterapia no Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ, no Setor Perinatal; no Lar Dom Pedro V e na Casa de Betânia, casas geriátricas; e nas creches Casa Mello Mattos e Casa da Criança (nas turmas do Berçário, Maternal e Ensino Fundamental, 2a. série).

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Publicado
2018-05-14
Seção
Artigos Científicos